Italo Andrade, sócio-consultor da SGS Soluções, assina a série de artigos “O mundo é um processo produtivo”. Entenda como um bom planejamento e acompanhamento de um processo produtivo podem melhorar nossa sociedade.

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Desde que começamos a aprender sobre o mundo (seja ciências, estudos sociais, geografia, história, ou mesmo português e matemática), vemos exemplos de processos produtivos e como eles interferem em tudo que conhecemos.

Desde a cadeia alimentar e seu análogo canal de distribuição, até erros estratégicos cometidos pelos mais diversos líderes da história, passando também pela representação da falta de estoque em números negativos, vamos percebendo que tudo precisa de uma ordem e um motivo para ser.

Apesar de ainda não conhecermos nessa época o que é processo produtivo de fato nem o que é realmente um planejamento ou um controle, realizamos que algumas coisas se fazem necessárias para que tudo ocorra como deve.

Um notório representante do que vemos, mas não entendemos ser um processo produtivo, é o trânsito. Todos concordam, no entanto, que o trânsito precisa de ordem para acontecer, seja essa ordem dada por guardas, placas, semáforos, pinturas no asfalto ou limitações estruturais.

As vias de tráfego têm a função de nos permitir ir de um lugar a outro, portanto, um processo. E a produção ocorre na medida em que temos recursos para serem utilizados, recursos a serem processados e uma função definida, sendo os recursos a serem utilizados as vias, os recursos a serem processados os veículos e a função a descrita acima.

Assim como em qualquer sistema produtivo, também temos restrições aos sistema, os famosos gargalos. Gargalo é qualquer processo que tenha capacidade menor do que sua demanda. Portanto, qualquer via que tenha diminuída sua quantidade de faixas de determinado ponto terá um gargalo nesse momento. Nesse local encontraremos, via de regra, uma retenção e acúmulo de veículos e pista livre a frente. Carros parados, quebrados ou batidos, ocupando parte da via, também são exemplos disso. Como um gargalo limita a capacidade do sistema todo, retire a limitação na via e teremos um trânsito mais fluido.

Um outro ponto que demonstra a importância de um bom planejamento é o tempo de setup, que nada mais é que o tempo necessário para uma produção ser preparada e começar a acontecer. Analogamente temos os tempos de espera nos semáforos. Sabe-se que a velocidade de início de um carro é bem menor que a velocidade que o mesmo pode atingir. Portanto, cada vez que se tem a necessidade de parar um veículo e recomeçar a andar, temos uma queda em sua produtividade (e também um gasto excessivo de combustível), o que diminui a capacidade daquele ponto da via. Seguindo essa linha de raciocínio, é fácil entender porque um sinal que fica aberto durante 30 segundos, mesmo abrindo por duas vezes, acumula mais carros do que uma via de mesmo fluxo, mas que tem um semáforo que fica aberto por um minuto. Um correto estudo de tempos e teoria das filas em semáforos pode ajudar e desafogar bastante o trânsito de uma região.

Os exemplos citados acima não envolvem políticas públicas mirabolantes para a utilização de transportes públicos ou necessidade de imensos investimentos, mas mostram que com algum planejamento e acompanhamento de sistemas produtivos, pode-se melhorar a vida de muitos e aliviar fatores que preocupam a população das cidades.

Italo Andrade é engenheiro de produção formado na UFRN e graduando em Ciências Atuariais. Há 9 anos atua na gestão de processos e operações em empresas e desde 2008 atua em logística e cadeia de suprimentos. Ávido por análise de números e controle estatístico. Desde 2011 leciona no núcleo de gestão do Senai/RN, ano no qual fundou também o Grupo SGS Soluções, que busca inovar e fomentar negócios inovadores, especialmente no estado potiguar.
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