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Entenda como desenvolver um rápido planejamento estratégico através do Balanced Scorecard (BSC)

Eng. Samuel Gondim, 30 de Março de 2015.

Há tempos se fala em planejamento estratégico para nortear os passos de organizações, seja no setor público ou privado. Mas afinal, o que é planejamento estratégico e quais suas principais ferramentas? Como podemos efetivamente aplicá-lo em nossas organizações para otimizarmos nossos resultados?

Em poucas palavras, planejamento estratégico é o conjunto de definições e ações que buscam alcançar um objetivo traçado após o pleno entendimento das variáveis que influenciam a sua empresa, internamente e externamente.

Na maioria dos casos o planejamento estratégico é visto pelos empresários como uma ferramenta complexa, com aplicação somente em grandes organizações, e portanto não se preocupam nem com definições básicas de seu negócio como missão, visão e valores.

O resultado desse pensamento é que muitas organizações seguem em frente sem estudar pontos críticos e ameaças que podem significar seu sucesso ou o fracasso.

Pensando nisso, Robert Kaplan e David Norton desenvolveram em 1992 em Harvard uma ferramenta visual para um planejamento estratégico dinâmico, mensurável e visual, o Balanced Scorecard (BSC).

O Balanced Scorecard é um conjunto equilibrado de indicadores de desempenho vinculados à missão, visão e valores da empresa e que devem ser traçados previamente à utilização da ferramenta.

Muito utilizado em grandes empresas o BSC é facilmente aplicável em pequenas organizações hoje sem planejamento ou que buscam o crescimento em novos mercados.

Uma outra forma de definir o Balanced Scorecard é como um novo sistema de medição de desempenho que dá os gestores uma visão rápida, mas abrangente do seu negócio.

O Balanced Scorecard consiste na maximização de resultados de quatro perspectivas que se interrelacionam, são elas:

  • Aprendizado e Crescimento;
  • Processos Internos;
  • Clientes;
  • Financeira;

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Para caracterizarmos a primeira delas, aprendizado e crescimento, devemos pensar em responder a pergunta: “Para alcançarmos a nossa visão empresarial, como promoveremos nossa capacidade de mudar e melhorar internamente?”
Em seguida, e em consequência do aprendizado e crescimento, a pergunta a ser feita é: “Em que processos internos deveremos ser excelentes para satisfazermos nossos clientes?”

Após as definições das perspectivas de Aprendizado e Crescimento e Processos Internos, se faz necessário entender como a organização deve parecer aos olhos dos clientes e o que pode ser implementado para uma melhor performance nesse quesito.

Definida as três primeiras perspectiva, a última e chamada perspectiva financeira é vista como consequência das anteriores, e tem relação com o resultado financeiro da empresa através da redução de custos com processos mais eficientes ou do aumento da receita através do aumento da conversão ou valor médio de vendas.

A partir das definições das perspectivas, temos todos os subsídios para seguirmos em frente e definirmos o mapa estratégico da organização. Como um quesito de aprendizado e crescimento se relaciona com a melhoria de um processo interno? Você irá notar que Balanced Scorecard apresentará um fluxo de relações entre as quatro perspectivas! Essa é a metade do caminho.

De posse desses dados, define-se os objetivos estratégicos para cada perspectiva. Se a nossa visão for bem sucedida, como nos diferenciaremos da concorrência em aprendizado e crescimento? E em processos Internos? e quanto à percepção do Cliente? O que ocorrerá na perspectiva financeira?

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Elencar os objetivos estratégicos permitirá a visualização dos fatores de sucesso de cada perspectiva na organização. O que é imprescindível para sua empresa se diferenciar em seus objetivos estratégicos ante a concorrência e ao mercado? O que absolutamente não pode deixar de ser feito?

A esse ponto já estará bem claro o que fará a diferença e o que será tido como norte de cada perspectiva. São então elaborados os Indicadores Chaves de Performance, em inglês Key Performance Indicator (KPI) para cada perspectiva, que deverão ser atualizados frequentemente.

Por exemplo, em uma perspectiva de aprendizado e crescimento, onde se busca o desenvolvimento de competências de operação terá como consequência em processos internos uma redução do número de produtos não-conformes, que se desdobrará em clientes mais satisfeitos com os produtos e por fim no aumento de vendas ou do ticket-médio por cliente.

Com isso, a organização terá a qualidade como objetivo estratégico e deverá se preocupar tendo como fator crítico de sucesso a conformidade do processo e poderá mensurar seu sucesso através do indicador (KPI) “% de produtos não conformes”.

Nesse momento já se sabe onde a organização quer chegar e é necessário ser observado para que o objetivo seja alcançado. Assim, de posse do mapa estratégico e suas perspectivas, dos objetivos de desempenho, dos fatores de sucesso e dos indicadores, já é possível elaborar planos de ação para cada área da organização.

Em pesquisa realizada pela Bain&Co evidenciou-se que menos de 10% das estratégias efetivamente formuladas são efetivamente executadas, o que mostra a importância de um plano de ação bem elaborado com prazos, custos, metas e responsáveis.

Essa ferramenta pode mudar significativamente o rumo da sua organização e diferenciá-la no mercado, uma vez que todas as métricas para a melhoria da performance global da empresa estarão definidas e relacionadas com um plano de ação. Mãos à obra!

*Samuel Gondim é Engenheiro de Produção pela UFRN com MBA em andamento em Gestão financeira, controladoria e auditoria pela Fundação Getúlio Vargas e aperfeiçoamentos em Planejamento Estratégico e Precificação pela ESPM-SP, Gestão da Inovação e Tomada de Decisão por Harvard University. É sócio-consultor da SGS Soluções e responsável pela área de negócios da empresa.
 

 

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