O CEO da Blueye comenta sobre o ramo e dá dicas para jovens empreendedores que querem segui-lo.

O mercado das startups tem chamado a atenção de muitos jovens brasileiros que possuem boas ideias e procuram formas de transformá-las em um negócio próprio. Por definição, uma startup propõe resolver um problema, seja com um hardware, software ou processo inovador, sempre pensando em solucionar uma demanda global. O que na teoria pode parecer algo simples, na verdade, exige muito estudo, dedicação e trabalho em equipe para alcançar o sucesso. Álvaro Barbosa, um jovem empreendedor que hoje é diretor executivo da Blueye, dá algumas dicas quanto ao mercado atual e conta como foi a sua jornada.

De maneira geral, a situação econômica hoje no país é bastante propícia para o desenvolvimento de startups, segundo Álvaro. Dependendo da solução realizada e tamanho do mercado, uma startup é uma ótima opção de investimento principalmente em tempos de crise econômica, pois são em épocas como essa que soluções inovadoras ganham mercado. “A demanda por soluções inovadoras é infinita, mas o empreendedor deve estudar esses problemas a fundo, e validar que a sua solução é viável para essa demanda e rentável”, completa.

Tocando no ponto da rentabilidade do negócio, Álvaro comenta sobre os investimentos iniciais e sobre as áreas mais lucrativas no ramo das startups. “Não existe um padrão de custo inicial, pois cada solução demanda profissionais, tecnologia e infraestrutura diferentes. Porém, existem muitos estudos e pesquisas que apontam alguns setores como os mais lucrativos para 2015”. Dentre esses estudos se destaca o “Request for Startups” (“pedido por startups”, em tradução livre) da Y Combinator, uma das mais respeitadas aceleradoras do mundo. Neste documento encontram-se listadas as áreas que a empresa acredita serem muito promissoras em 2015 e, dentre elas, podemos destacar o mercado de energias, inteligência artificial, biotecnologia, saúde, telecomunicações, entre diversas outras.

Entretanto, mesmo que o projeto se enquadre uma área promissora, às vezes o que falta mesmo é o capital necessário para fazer a ideia sair do papel. Para quem busca novos investidores e sócios que se interessem em ajudar financeiramente sua empresa, Álvaro diz que o ideal é buscar por programas voltados para o desenvolvimento de novas startups, como o programa Startup Brasil. O programa é uma iniciativa pública-privada que busca auxiliar no crescimento e na divulgação de empresas inovadoras desse mercado. Além deste, existem outros programas brasileiros com o mesmo foco, como o Startup Next, Startup Weekend e o programa Lemonade. Já internacionalmente, existem ainda referências na América Latina, como o programa Startup Chile e Startup Peru, mas o mais reconhecido do mundo é o Startup Star. Álvaro destaca a importância de sempre procurar participar das seleções para esses programas, devido ao alto valor de investimento que podem proporcionar. “Por trabalharmos muito com inovação, o investimento é bem grande. São oportunidades que não se deve deixar passar”.

Porém, mesmo com todas as oportunidades possíveis e uma ideia inovadora, uma startup pode acabar não dando os resultados esperados se a equipe não for bem estruturada e comprometida. De acordo com Álvaro, o mais comum é ter na equipe três tipos de pessoas: alguém que entenda de negócios, outra de tecnologias e um designer. Isso faz com que os custos sejam reduzidos por não ter que ir atrás desses profissionais depois. Para ele, a equipe tem que ser muito boa e dedicada, pois o que vale mais é a execução. “Tem que ser comprometido a trabalhar no projeto por 2 ou 3 anos antes de começar a dar lucro, é um investimento de longo prazo”, atenta Álvaro.

Além da busca por investidores e de pessoas chaves para a equipe, ele completa dizendo que, acima de tudo, é preciso estudar muito para que a sua startup seja projetada e desenvolvida com qualidade e atualizada com as demandas do mercado atual. Pesquisas já apontaram que em média 60% dos jovens estudantes se interessam em empreender, mas apenas 10% se preparam e buscam maiores conhecimentos para isso. Álvaro insiste que todas as chances de aprendizado que surgirem devem ser aproveitadas, desde as incubadoras e empresas juniores da faculdade até palestras e workshops sobre a área em que deseja investir. “A cada dia, o jogo fica mais complexo e quem não se preparar vai ser passado para trás”, conclui.

Um pouco sobre a jornada pessoal de Álvaro na Blueye

A Blueye é uma empresa que, a partir de uma câmera instalada no ponto de venda do comerciante, utiliza a tecnologia de análise de dados para realizar uma pesquisa de mercado inteligente e trazer inúmeras vantagens competitivas para os empresários. Inicialmente, Álvaro era o consultor empresarial da equipe idealizadora do projeto, mas ao perceber que a empresa tinha um grande potencial, resolveu fazer parte da startup. “De cara me identifiquei com o negócio e o encaminhei para a aceleradora Mandaca.ru, em que eu também atuava como gestor de projetos. Isso deu à empresa um boost inicial importante para a produção e desenvolvimento do produto”, ele conta.

Apesar do entusiasmo com a startup, Álvaro precisou se afastar do projeto por um tempo ao ser chamado pelo programa Ciência Sem Fronteiras para estudar nos Estados Unidos na Florida Institute of Technology, focando seu aprendizado para a área de empreendedorismo e desenvolvimento de projetos. Com seu perfil engajado, conseguiu um estágio numa aceleradora local focada em produtos, onde adquiriu experiência direta com clientes e as expectativas dos mesmos quanto à qualidade dos produtos e serviços que compravam. Álvaro conta que devido a essas conquistas no exterior, acabou sendo chamado para voltar ao Brasil e assumir a posição de sócio da Blueye, que acabara de ser aceita no programa Startup Brasil.

A startup já ganhou o 2º lugar no Rio Info 2014 e o 2º lugar na Demo Nordeste no mesmo ano, mas a busca por inovações e novos clientes não para. A empresa conta com um arquivo de clientes de peso como O Boticario, Folic, Lucchiali além de renomadas marcas de vestuário feminino. A projeção é de vender mais 20 câmeras até junho. Além disso, a equipe está trabalhando no aprimoramento do sensor da câmera, buscando agora fazer uma análise do humor do cliente. Dessa forma o comerciante poderá saber como aquele perfil de cliente reage ao ambiente da loja e, a partir do cruzamento de dados fornecido pela Blueye, aplicar as devidas estratégias mercadológicas que melhorem o relacionamento da loja com o cliente. Essa nova função da câmera será testada na mostra de decoração Decora Líder.

*Álvaro Barbosa é CEO da Blueye – Pesquisa inteligente, startup acelerada pela Mandaca.ru Negócios Inovadores e Techmall (Belo Horizonte).

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